12º Prêmio Nacional Assis Chateaubriand de Redação com o trabalho intitulado “Quem tem medo de Nísia Floresta”.

Barbara LemesDo G1 Triângulo Mineiro
Com o projeto do livro “Ylus, o dragão de papel”, o estudante Estevão Bertoni, de 24 anos, foi premiado na última edição do Jovem Escritor Mineiro, organizado pela Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Superintendência de Publicações Suplemento Literário (SPSL). Em entrevista ao G1, o jovem, que já viveu em três cidades do Triângulo Mineiro, falou sobre sua paixão literária e do projeto de literatura infantojuvenil que começará a ganhar vida após o prêmio.
Jovem Escritor Mineiro Ituiutaba  (Foto: Estevão Bertoni/Arquivo Pessoal)Estevão Bertoni conquista premiações literárias desde os 15 anos. (Foto: Estevão Bertoni/Arquivo Pessoal)

Bertoni nasceu em Uberlândia, cresceu em Ituiutaba e passou o fim da sua adolescência emCachoeira Dourada, onde vive até hoje com sua mãe. Estudante de Engenharia Mecatrônica, a paixão pelo mundo artístico veio cedo na vida do jovem graças ao pai, músico profissional, da mãe, publicitária e artista plástica, e do avô materno, grande contador de histórias. 
“Ylus, o dragão de papel”
O projeto que deu ao Estevão a premiação de Jovem Escritor Mineiro começou a nascer em 2009, com a criação de um dragão tridimensional a partir de métodos do papercraft, modelagem de objetos com papel recortado e cola.
Segundo Bertoni, a criação do livro surgiu com o objetivo de unir elementos do mundo da fantasia, dentro de um contexto contemporâneo e real. “Eu estava habituado com a linguagem do papel e cola, mas o dragão me arrebatou e me fez pensar em um personagem feito de papel, mas que na história ganharia vida e sairia da prancheta de seu criador para se transformar em algo real e tridimensional”, informou o autor.
O livro conta a história de um dragão serpente em pleno Século XXI, gasto, enrugado, órfão de mãe e recém saído do desenho de Arthur, um cartunista sarcástico, desiludido, sem grana e cheio de problemas. Desde o dia em que o desenhou, Arthur tem Ylus crescendo em seu corpo, como uma tatuagem que a cada dia parece mais viva, ligando o criador à criatura. No projeto, Bertoni pretende incluir folhas impressas para montagem de um dragão de papel, inteirando, assim, o leitor ao mundo da fantasia literária. 
Por enquanto o livro é apenas um projeto mas, com a premiação da Secretaria de Cultura, o jovem acredita que a ideia sairá do papel em breve. “O Prêmio do Governo de Minas é mais que um incentivo. É apoio financeiro, o reconhecimento de um trabalho promissor e um selo que garante a finalização de um projeto literário. O Jovem Escritor Mineiro trouxe para mim a possibilidade de execução de um produto literário, cultural e metalinguístico, que a partir de agora vai ganhar espaço e vida”, concluiu Estevão.
Mundo Literário
Segundo o escritor, a paixão pela escrita começou quando ele ainda tinha 12 anos. Os primeiros textos eram escritos e “deixados na gaveta”. “Sempre escrevi para as gavetas, jogando fora quase tudo e guardando o mínimo, rabiscando e só anotando ideias. Escrevia à mão e em qualquer lugar. Hoje percebo que nunca tive um processo de escrita propriamente dito. Sempre foi algo solto, com ideias que chegam sem muito nexo, em meio às coisas absolutamente prontas e inteiras”, explicou Bertoni.
Ninguém torna-se escritor porque ganhou alguns concursos. A escrita é fino trato e caracteriza-se pelo experimeto, afinco e estudo"
Estevão Bertoni
Entre as principais referências literárias do escritor estão nomes como Monteiro Lobato, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Machado de Assis, além de Maurício de Souza e Quino, com os personagens ‘Chico Bento’ e ‘Mafalda’.
"Ylus" não foi o primeiro livro, e muito menos a primeira premiação do autor. Em 2006, Bertoni participou de um concurso nacional de redação e conquistou o 12º Prêmio Nacional Assis Chateaubriand de Redação com o trabalho intitulado “Quem tem medo de Nísia Floresta”.
No ano seguinte, aos 16 anos, o mineiro conquistou o Prêmio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkia, em Portugal, com o livro infanto-juvenil “O Dono da Festa”, lançado em 2008. “Na época, em entrevistas, fui perguntado se me considerava um escritor e a resposta que dei está valendo até hoje: ninguém torna-se um escritor porque ganhou alguns concursos. A escrita é fino trato, tem reservas e caracteriza-se pelo experimento, afinco, estudo, exercícios e investimento”, finalizou. 

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