Literatura feminina em pauta NÍSIA FLORESTA

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Literatura feminina em pauta 

Até amanhã, VII Colóquio Mulheres em Letras promove palestras, trabalhos acadêmicos e lançamentos de livros



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Atitude. Conceição Evaristo, de empregada doméstica a escritora formada em letras, lança o livro “Olhos D’Água”, sobre a comunidade negra
PUBLICADO EM 14/05/15 - 03h00
"Durante décadas fomos apenas vozes isoladas. Mas, você sabia que em 1872, uma educadora e jornalista chamada Francisca Senhorinha da Motta Diniz fundou o jornal ‘Sexo Feminino’ para levantar bandeiras pelos direitos das mulheres ao estudo, ao voto, ao trabalho? Naquela época... Somos reflexo disso até hoje”. Entre contextos pouco difundidos sobre a história da literatura feminina no Brasil, a professora Constância Lima Duarte elucida em sua afirmação um pouco do que o VII Colóquio Mulheres em Letras: Percursos de Escritos de Autoria Feminina pretende trazer à tona em uma programação de três dias de atividades, palestras e lançamentos de livros, na Faculdade de Letras da UFMG.

Em seu sétimo ano de atividade, o Grupo de Pesquisas Letras de Minas, coordenador por Constância Duarte, fez efervescer um dos principais encontros para discussão e produção de literatura feminina no país: o Colóquio Mulheres em Letras, evento anual para debater a literatura feminina. “O que aconteceu foi que as mulheres foram terminando a disciplina de pós-graduação em literatura brasileira de autoria feminina e queriam continuar a temática. Aí nos reunimos todos os meses para estudar e a coisa cresceu, tomou essa forma. É um espaço para refletir sobre a produção ficcional e poética de autoria feminina e estimular a pesquisa. Além de contribui para avanços dos estudos literários e culturais”, diz Constância.
Se na primeira edição do Colóquio Mulheres em Letras, em 2006, o evento foi realizado com apenas 20 colaboradores apresentado textos, teses e pesquisas acadêmicas em geral para um público de 40 pessoas, neste ano serão 128 trabalhos para um público de 200 pessoas.
Desta vez, a temática histórica do encontro vai homenagear duas mulheres do século XIX, percussoras em linhas distintas de literatura. De um lado, a escritora potiguar Nísia Floresta, uma das primeiras feministas do Brasil, autora de uma das publicações pioneiras sobre o tema, “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”, de 1832. De outro, a escritora maranhense Maria Firmina, a primeira a publicar um romance abolicionista no Brasil, intitulado “Úrsula”, de 1859. “Nossa ideia este ano é resgatar as primeiras mulheres escritoras e revelar quais temas elas abordavam, trazendo à tona essas raízes e inspirações”, complementa Constância.
ATIVIDADES. Diante disso, a vasta programação do VII Colóquio Mulheres em Letras vai reunir algumas das principais escritoras e estudiosas do protagonismo da mulher na literatura. Entre elas, as mineiras Ana Elisa e Branca Maria, além de Nádia Battella Gotlib, professora da USP especializada em Clarice Lispector, e Kátia Bezerra, professora titular da Universidade de Tucson, nos EUA, onde pesquisa a literatura feita por mulheres.
Entre os temas em debate, o corpo feminino abordado pela literatura da argentina Alicia Kozameh, vozes contemporâneas da literatura africana, a partir das obras de Paulina Chiziane, Chimamanda Ngozi e Isabel Ferreira, além de pontos como opressão masculina e o empoderamento feminino dentro das artes.
Em uma das palestras mais aguardadas, a escritora Conceição Evaristo vai contar, hoje, um pouco de sua trajetória: de empregada doméstica a escritora formada em letras, e também expor as nuances de seu mais recente livro, “Olhos D’Água” (Pallas, 2014). “Vou falar sobre um conceito muito importante que me marca como escritora que sou hoje, a escrevivência. É algo inerente também a escritores como Lima Barreto e Maria Carolina de Jesus. A literatura feminina tem muito disso. Você vive, você escreve. É um terreno predominantemente de histórias reais, sentimentos que precisam ser contados com urgência”, diz Conceição.
LANÇAMENTOS. Além de todo o ciclo de palestras, bate-papos e apresentações de trabalhos acadêmicos sobre a literatura feminina, o VII Colóquio Mulheres em Letras também vai realizar o lançamento de oito livros de escritoras brasileiras, vendidos numa feira durante o evento. A programação completa está disponível em www.mulheresletras.com
Agenda
O QUE. VII Colóquio Mulheres em Letras: Percursos de Escritos de Autoria Feminina
ONDE. Faculdade de Letras da UFMG (avenida Antônio Carlos, 6.227, Pampulha)
QUANDO. Hoje e amanhã, com programação gratuita entre 8h30 e 20h30

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