REDE SESC DE INTERCÂMBIO E DIFUSÃO DE ARTES CÊNICAS 2015

Palco Giratório

Completando 18 anos de estrada em 2015 e concebido como uma ação estratégica de difusão e intercâmbio de artes cênicas para um país extenso e diversificado como o Brasil, o Palco Giratório é movido por muito esforço e entusiasmo, mas também por reflexões e questionamentos. 
Considerando as diferenças culturais e as desigualdades sociais e econômicas do país, no qual uma grande parte dos cidadãos ainda possui acesso muito restrito a equipamentos culturais e a obras artísticas, como detectar e eleger produtos cênicos capazes de encantar, surpreender e afetar seus espectadores? Como perceber quais grupos e coletivos estão prontos e com disposição para embarcar na desafiante missão de percorrer, durante um ano, o grande continente chamado Brasil, mostrando o seu trabalho e tendo encontros com sua gente?
Sustentado por uma rede de 33 curadores, composta por profissionais residentes em todos os estados brasileiros, o Palco Giratório reúne anualmente uma “amostragem” importante da produção cênica brasileira. Cada curador apresenta um número determinado de produções do seu estado e o coletivo analisa o conjunto das indicações. Além disso, ao longo do ano, os curadores dividem-se em grupos para acompanhar os principais festivais de artes cênicas do Brasil.
O material de trabalho é, portanto, um mosaico rico e desafiador, como a contemporaneidade. Nesse mosaico, cada componente nem sempre corresponde ao imaginário acerca de um estado ou de uma linguagem cênica determinada. E, desse modo, conceitos, opiniões e referências vão sendo diluídos e reconfigurados.
Importante assinalar que esse mosaico não se propõe a ser a expressão das “melhores produções em artes cênicas” do período. Isso porque o Palco Giratório tem especificidades, e é necessário que a circulação – que pode abranger até cinquenta diferentes cidades e exigir que o grupo permaneça em circulação por três meses ininterruptos (além de diversas outras etapas ao longo do ano) – seja enriquecedora para o grupo e proporcione uma significativa experiência para os públicos do projeto. Além de o trabalho ser artisticamente potente, o grupo deve estar suficientemente amadurecido e preparado para a empreitada. Participar do circuito Palco Giratório é, portanto, um compromisso firmado com cada grupo envolvido, que opta por investir seu trabalho no país e desbravar o próprio território.  
Que experiência provocar no outro? Que tipo de encontros proporcionar a quem já é espectador assíduo do projeto e espera por ele todos os anos? Quais trabalhos eleger para falar àqueles que verão, talvez pela primeira vez, um espetáculo profissional de artes cênicas? Essas são algumas questões que a curadoria tem em mente e que busca responder por meio da sua ação, ao mapear e ao encaminhar as propostas para o coletivo.
A realização do gesto curatorial e a operacionalização do projeto exigem recortes e delimitações. Considerando a multiplicidade de sotaques no processo, é possível imaginar de que forma cada decisão envolve debates acalorados, nos quais se tensionam, se discutem e se complementam visões de teatro, de dança e de circo. Visões da arte, da cultura, visões de Brasil.
Para o Palco 2015, nós, os curadores, imbuímo-nos do propósito de conhecer melhor o que se pratica em teatro de formas animadas no país – dada percepção de que essa linguagem vinha se apresentando com pouca incidência nos festivais e na própria curadoria do projeto.
Foi assim que um panorama extremamente rico e imprevisível de grupos e de espetáculos foi desvelado. Quatro trabalhos foram selecionados para circulação e serão apresentados, em 2015, para milhares de brasileiros: os espetáculos Criaturas de papel e O intrépido Anãmiri, do grupo Bricoleiros, do Ceará; O pássaro do sol e Histórias da caixa, do grupo A Roda, da Bahia; Plural e O cabra que matou as cabras, da Cia. de Teatro Nu Escuro, de Goiás; e O som das cores, da Cia. Catibrum, de Minas Gerais.
Ainda sobre recortes e ênfases, o Nordeste foi a região com o maior número de grupos selecionados para circulação: nove, no total – resultado do mapeamento e da análise de um conjunto de trabalhos heterogêneos e de extrema qualidade técnica e apuro estético, afirmando o trabalho contínuo de descentralização do projeto. 
O artigo de Christianne Galdino, “O balanço da rede – descortinando o dançar nordestino” contribui com aquele panorama. Trata-se de um texto que ilumina as opções estéticas do Balé Popular do Recife, grupo que o Palco Giratório homenageia em seu circuito especial em 2015. O leitor encontrará nesse artigo, a visão de um Nordeste que, contrariando o costume, optou por não migrar e que hoje faz da região um contexto imprescindível para a arte contemporânea no Brasil.
Para a seção de bate-papo deste catálogo, buscamos intercambiar com curadores de outras instituições, que vêm desenvolvendo importantes projetos em artes cênicas no Brasil. A conversa visa contribuir com o tema, já que a maior parte dos artigos e livros disponíveis sobre o assunto relaciona-se com as artes visuais, onde o termo se originou.
Nesse sentido, o papo com Júnior Perim, diretor-geral e curador do Festival Internacional de Circo do Rio de Janeiro, aponta, por exemplo, os desafios de programar e conquistar públicos para o circo no Brasil. César Augusto, ator da Cia. dos Atores e curador do Galpão Gamboa, no Rio de Janeiro, defende o curador como criador e fala sobre o cuidado em não discriminar o público. E Fabiano Carneiro, coordenador de dança da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE), define o público como o principal foco do curador. A conversa discute como a curadoria vem se profissionalizando no Brasil e o quanto merece ser discutida e aprofundada.
Sempre interessado em territórios híbridos, sabendo que as artes cênicas, como toda forma de arte, têm de ultrapassar as próprias fronteiras, o Palco Giratório dá continuidade ao circuito intervenção urbana. Em 2015, a bailarina Cláudia Müller, do Rio de Janeiro, entregará Dança contemporânea em domicílio pelos quatro cantos do Brasil, conforme o título de seu trabalho.
E para documentar um dos muitos contextos que os espetáculos do Palco Giratório produz ao chegar nos estados brasileiros, apresentamos o relato da equipe de cultura do Sesc no Maranhão. Nesse texto é possível conhecer um pouco da Aldeia Guajajara de Artes, que completará dez anos de existência e marca a chegada do Palco, sob a forma de uma grande festa cultural, em São Luís, a “Ilha do Amor”, a “Jamaica Brasileira”. Vale ressaltar que Leônidas Portella, artista maranhense do espetáculo “Divino”, em circulação, é fruto da Aldeia Guajajara de Artes, pois foi nela que encontrou a oportunidade de realizar uma formação profissional, que o permitiu partilhar seu trabalho por todo o Brasil este ano por meio do projeto que o formou, o Palco Giratório. 
Por fim, a 18ª edição do Palco Giratório desperta a atenção para um assunto de grande relevância: a acessibilidade nas artes. Dois dos grupos participantes, o Grupo Ninho de Teatro, do Ceará, e o Gira Dança, do Rio Grande do Norte, são inspirações para um trabalho inclusivo em artes, já que integram artistas profissionais com deficiência e total maestria em sua carreira. Para nós é uma alegria permitir que esses coletivos, além de apresentarem suas belas obras ao público brasileiro, estimulem o debate e a efetiva participação dessas pessoas.
O artigo de Rodrigo De Bonis, “Universo em Expansão”, reforça essa urgência, fundamentada na legislação brasileira (uma das mais avançadas do mundo), a qual necessita ser colocada em prática através da produção e da distribuição de obras de arte.
Esperamos que 2015 proporcione grandes celebrações quando os grupos do Palco Giratório desembarcarem em suas cidades, levando a chama das artes cênicas e realizando encontros, festejos, provocações. É o que preparamos para vocês!

CURADORIA

Departamentos Regionais do Sesc

Alessandra Britez (TO)
Álvaro Fernandes (PB)
Ana Paolilo (BA)
André Luis de Jesus Santana (SE)
Carolina de Andrade (RR)
Colette Dantas (ES)
Cristine Braga (RJ)
Dora Sá (MG)
Ednea Maria Barbosa de Souza (GO) 
Emerson Pirola (SP)
Fabrício Barros (AL)
Francielle Melinna Araujo Gadotti (MS)
Galiana Brasil (PE)
Genário Dunas (AP)
Isoneth Lopes Almeida (MA)
Ivaldo Gadelha (DF)
Jandeivid Lourenço Moura (MT)
Jane Schoninger (RS)
José Corrêa (AM)
Luis Felipe Sales (CE)
Maria Braga (RO)
Maria Carolina Fescina Silva (MG)
Maria do Livramento Machado (PI) 
Maria Teresa Piccoli (SC) 
Marques Izitio Alves (AC)
Nilton Marques (RN)
Suelen Silva (PA)
Tatyane Ravedutti (PR)

Departamento Nacional do Sesc

Maira Jeannyse (Centro Cultural Sesc Paraty) 
Viviane da Soledade (Escola Sesc de Ensino Médio)
Josenira Cássia Fernandes (Estância Ecológica Sesc Pantanal) 
Raphael Vianna Coutinho (Gerência de Cultura)
Vicente Pereira Junior (Gerência de Cultura)
Mariana Barbosa Pimentel (Gerência de Cultura)
Victor Rodrigues Seixas (Estagiário da Gerência de Cultura)

Observadores

Rafaella Vagmaker (ES)
Cristiane Marques de Oliveira (MG)
Wellington Dias de Jesus (GO)
Janaina Coelho Azevedo (MT)
Daniela Travassos Rocha (PE)
Maria Carolina Aragão da Luz (MA)
Camila Maria Duarte Sobrinho (AM)
Fátima Zarife (RJ)


http://www.sesc.com.br/portal/site/palcogiratorio/

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